Mount Rushmore
América do Norte

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América do Norte Como consegui uma bolsa de Mestrado fora do país? Publicado por Siane Camila Luzzi em 11 de January de 2018

Essa é uma das perguntas que mais respondo nos últimos meses, acompanhadas de “Como tu fez isso?”, “Já conhecia alguém?”, “Teve que fazer alguma prova?” E muitas outras… E para tentar ajudar mais pessoas, mais do que apenas os meus amigos mais próximos, resolvi que o blog poderia dessa informação ser melhor divulgada. Não vou me enrolar muito porque tem muita dica e procedimentos para escrever sobre. Esse post vai contar com duas prescretivas diferentes de quem conseguiu um mestrado fora. Além da minha história, convidei um amigo, o Mateus Peiter, para contar como foi que ele conseguiu a bolsa de mestrado nos EUA também. Então sigam lendo até o fim, pois tem muita dica para te ajudar a conseguir essa experiência fora do Brasil.

 

University of Minnesota

 

 

Prepara que esse post é com poucas fotos e com muita informação. Vou falar um pouco da minha vida acadêmica para que vocês entendam como tudo começou e tal. Me formei na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Erechim, em 2016. Originalmente sou da primeira turma de Engenharia Ambiental de lá, mas acabei me formando com a segunda turma por causa do Ciências sem Fronteiras. Durante toda minha vida acadêmica lá, estive metida em tudo o que pude. Era representante discente no colegiado, fui do DCE por um tempo, fui uma das fundadoras do Diretório Acadêmico do curso e também fiz muita pesquisa. Comecei logo no primeiro semestre (sei que essa realidade é diferente em universidades maiores e mais antigas, mas não custa você tentar também né?), mesmo saindo do ensino médio sem base alguma. Agradeço muito aos meus professores e orientadores por toda a paciência que sempre tiveram comigo, para que eu seguisse confiante no que estava fazendo e também com ainda mais entusiamo. Nesses 5 anos na UFFS participei de três grupos de pesquisa diferentes, alguns com bolsa de iniciação científica e alguns como voluntária. Afinal, eu sempre entendi que o importante era estar envolvida e participando.

 

Em 2012 eu resolvi que começaria a fazer inglês, pois já tinha ouvido do Ciências sem Fronteiras e sabia que o programa poderia continuar por alguns anos. Então eu coloquei como meta aprender inglês para tentar uma das bolsas internacionais. Foram 5 meses de intensivo de inglês (fiz no CCAA e super recomendo, o método deles foi muito bom para mim), com professoras maravilhosas, que me ajudaram a desenvolver tudo o que eu poderia para então tentar passar em uma prova para obter o reconhecimento e a nota que eu precisava para sair do país. Escolhi fazer o IELTS, eu e mais dois amigos nos deslocamos 400km para fazer a prova, passamos dois dias fora mas deu tudo certo. Dezoito dias depois tivemos os nossos resultados e eu pude aplicar para o edital do CNPQ. Escolhi o Canadá como país de destino e comecei a torcer. Confesso que minha nota não foi maravilhosa no IELTS, eu tinha algumas reprovações no currículo (e não se culpe por isso, se você sempre se esforçou e deu o seu melhor, as vezes você não pode fazer tudo ao mesmo tempo, simples assim), maaaaas, DEU CERTO!

 

No fim de 2013 estava concluindo o sétimo semestre de faculdade e arrumando minhas malas para Thunder Bay, onde passei 16 meses estudando na Lakehead University. Fui recepcionada com uma temperatura de -52ᵒC, mas com muita felicidade e determinação de fazer dar certo. Confesso que o começo não foi fácil, pois o inglês ainda não era bom, a realidade era totalmente diferente, e por mais que eu sempre me achasse independente, começar tudo sozinha não foi fácil. Felizmente, achei brasileiros maravilhosos (os que moraram comigo durante todo o intercâmbio e também os que fui conhecendo e me aproximando durante esse tempo). Com toda a certeza foi a melhor parte da minha vida. Foram inúmeras experiências inesquecíveis que me fizeram crescer de uma maneira que nunca pensei que fosse possível.

 

Durante o intercâmbio foram quatro meses de aulas de inglês, quatro meses de estágio e dois semestres de aulas (fiz oito matérias no total). O estágio me proporcionou um aprendizado grandioso, trabalhar com uma equipe maior, reportar ao professor todos os dias, aumentar minha responsabilidade para com os resultados da minha parte e do projeto como um todo. Melhorei muitas habilidades que eu tinha e aprendi muitas outras novas. Além disso fiz amizades para toda a vida, não apenas com os outros estudantes mas também com o meu orientador (que me rendeu uma carta de recomendação e muitos conselhos). Esse intercâmbio também me permitiu ter um e-mail da universidade, que facilita muito a comunicação com outros professores em universidades pelo mundo. Afinal, é muito mais fácil confiar em um e-mail enviado por uma extensão da universidade do que pelo gmail, yahoo, hotmail, bol, uol…

 

Bom gente, toda essa história culminou na minha formatura em agosto de 2016 e na pergunta, “E AGORA JESUS?

 

Acredito que a minoria sai da universidade com certeza do que quer ou trabalhando no que gosta. Aí aquela pergunta ali de cima vem de novo. A oportunidade de fazer um mestrado e/ou doutorado fora é real e para quem corre atrás.

 

University of Minnesota

 

Aí embaixo tem uma lista do que fiz para conseguir minha bolsa de estudos, espero que ajude muitos de vocês. Eu consegui a minha bolsa mandando e-mails. Sem contato prévio com nenhum dos meus orientadores daqui. Quer saber como funcionou e tudo o que você precisa fazer para conseguir também? Vamos ao passo-à-passo.

 

  1. Testes necessários

 

Eu vou falar especificamente sobre isso no item 6, mas tenha em mente que você precisará fazer no mínimo um teste: o de inglês. Pode ser que você tenha tempo de fazê-los depois de ter feito os contatos, mas você precisará dos resultados para aplicar em qualquer universidade. No meu caso, eu havia feito a inscrição antes de começar a pesquisar as unis e os professores.

 

Lembre-se que não são todos os estados que possuem locais de provas, e nos que possuem, as datas e vagas são limitadas. Além do mais, o custo desses testes são altos, então você precisa ir um pouco preparado.

 

  1. Pesquisando

Começando do começo kkk primeiramente você precisa avaliar o que realmente quer fazer ou pesquisar. Tanto no Brasil quanto fora, em algum lugar (na verdade em bem mais que um lugar) você vai encontrar algum pesquisador que já trabalha com algo relacionado ao que você pensa. E são nessas pessoas e universidades que você precisa focar. No meu caso, eu gostaria muito de voltar para o Canadá, mas o meu orientador na Lakehead não tinha dinheiro para financiar um aluno. Então eu comecei uma pesquisa sobre outras universidades que ofereciam bolsa de estudos e procurei também, pelos professores. Fiz uma lista gigante com as universidades, professores e os respectivos e-mails. Essa será a parte mais demorada, quanto menos você demorar para fazê-la, antes você pode começar a fazer contato.

 

  1. Escrevendo um bom currículo

 

Depois dessa lista, o que você precisa é de um: um belo currículo. Você precisará focar em um bom inglês, que seja claro e objetivo. Coloque tudo o que você fez na sua vida acadêmica e fora dela também. Internacionalmente, trabalhos voluntários ou extra-classe são muito bem visto, coloque-os mesmo que você pense que não foram nada de mais. Pense em uma estrutura com uma boa fluência e utilize ordem de datas, colocando sempre o mais novo no topo, pois facilita a leitura do que você fez recentemente. Tem muitas ideias na internet para um bom currículo, pesquisem bem e utilizem o que melhor se adequa.

 

Se precisarem de ajuda, tem sempre os comentários aqui embaixo e as nossas redes sociais para vocês mandarem mensagens ;D Mais uma coisa, no fim do currículo é muito importante ter no mínimo um contato de referência de algum professor que você já trabalhou. Apenas lembre de avisar esse professor que você o está colocando como referência. Se você fez Ciências sem Fronteiras e teve um bom relacionamento com seu professor, esse é o lugar de referênciá-lo, pois um contato de fora do seu país de origem tem muito peso. No meu caso, depois que cheguei aqui na universidade, quando estava conversando com meu novo orientador, ele me contou que antes de fazerem contato comigo, eles ligaram para meu orientador no Canadá, para fazerem algumas perguntas sobre mim. Então, escolham bem suas referências.

 

  1. Contatando os professores de sua lista

 

Sua lista com os nomes das universidades e professores será gigante. Se não me engano, na minha tinham por volta de 40 unis e uns 100 professores. Isso porque não considerei alguns países. Mas já vi pessoas com mais de 500 nomes. E quanto mais opções você ter, melhor. Pois no máximo 10% desses professores irão responder. Outra vantagem de quem fez Ciências sem Fronteiras (e que você precisa usar aqui) é ter um endereço de e-mail da universidade. Por exemplo, eu mandei todos os meus e-mails pelo meu @lakeheadu.ca pois dá mais credibilidade do que um gmail, yahoo… Enfim, mas se você não tem, não desanima. Lembrem de caprichar no “assunto” do e-mail.

 

Nesse ponto, além de caprichar no “assunto”, é hora de escrever alguns bons dois ou três parágrafos resumindo: o que você está procurando e o que você já fez. Pois só depois disso é que eles irão abrir seu e-mail. Esses parágrafos precisam ser bem, BEEEEEEM, concisos. Nada de rodeios, seja objetivo. Outra coisa é colocar um “porquê” de você estar contando esse professor. O que chamou a sua atenção? Ah, “é por que ele trabalha com o método blábláblá para remover blábláblá do ar”, mencione isso. É bem importante você fazer uma “conexão pessoal” com esse professor, e mostrar que você pesquisou algo sobre a vida acadêmica dele.

 

  1. Mas quando é melhor fazer esse contato?

 

Não tem um melhor momento, mas quando for pesquisar sobre as universidades, lembrem de olhar as “deadlines” para as “applications” com bolsa, essa é uma data bem importante. Alguns processos podem demorar um ano para serem aprovados, então se você estiver no quarto ano de faculdade e com prespectiva de se formar no quinto, melhor começar a fazer sua lista. Aqui nos EUA, muitas universidades fecham as incrições para bolsas em dezembro e algumas em janeiro. Mas se eles estiverem com dinheiro sobrando, talvez você consiga aplicar até março. Mas lembre que seu caso é especial, pois você será um estudante internacional. E como não está aqui ainda, ou nunca esteve na universidade, tem muita papelada para ser organizada.

 

Outra dica é escolher o dia da semana para mandar, não indico segunda e sexta. Segunda-feira, pois os e-mails estão sempre cheios e os professores não tem muito tempo de ficar olhando e respondendo. E sexta-feira, pois é um dia mais relaxado, ninguém quer pensar muita coisa séria ou definir algo numa sexta.

 

Melhor dica: TENHA PACIÊNCIA. Eu sei que é uma coisa difícil de pedir, mas tenha paciência. Meu orientador demorou praticamente um mês para responder meu e-mail. Mas respondeu. E quando conversei com ele aqui, ele disse que gostou muito da minha atitude em mandar um e-mail e fazer contato. Mostrar que eu tinha interesse em mudar e fazer algo fora do Brasil. Em compensação, um professor da Austrália demorou 16min para responder meu e-mail. E foi engraçado pois eu nem estava esperando, inclusive estava indo para a cama (lembrem do fuso kkkkk). Ele só respondeu assim: “Estou interessado em trabalhar com você, por favor, aplique para a nossa universidade, você tem 8h para completar o ‘application’ e ser considerada para ganhar bolsa.” IMAGINEM a minha reação kkkkkkk juntei tudo o que tinha e mandei. Fui aprovada lá, mas só recebi a aprovação depois que já tinha passado e confirmado que viria para os EUA.

 

  1. Testes de inglês

 

Acredito que independente do país que você escolher (menos Portugual ou algum país da África que fale português), você precisará fazer um teste para saber sua fluência. No caso dos países de língua inglesa, suas principais opções são: IELTS e TOEFL (estou deixando os dois links clicáveis para quem quiser visitar o site deles).

 

“Mas Si, quais são as principais diferenças?” Então, o formato de prova é diferente. Embora eles cobrem a mesma coisa, e estudando para um, consequentemente estará estudando para o outro. Os custos das provas são praticamente iguais, se mantendo na faixa de R$850,00 cada. A diferença no formato, está no modo de aplicação.

 

O TOEFL ibt é uma prova aplicada pelo computador. Todas as suas sessões serão “online”, inclusive a conversação, já que você precisará conversar com a tela. Conheço muitos amigos que se deram super bem e gostaram. Essa prova tem como base um inglês mais americano, mas você não vai notar muita diferença para o IELTS.

 

O IELTS, é um prova aplicada no papel (para writing, reading e listening) e a conversação é feita com uma pessoa. Então para quem quer uma coisa mais pessoal, indico fazer essa prova. Ela foi a minha escolha, pois eu não gosto de prova no computador, acho muito cansativa. Sem contar que gosto de conversar com a pessoa, pois dá para saber as reações dela ouvir e interagir um pouco mais.

 

Tem muitos simulados espalhados pela internet, inclusive os sites dessas provas vendem material para estudar e disponibilizam softwares para estudo também. Lembre de se planejar, pois as provas são extensas e o tempo de prova é bem definido para não sobrar.

 

Para quem quer vir para os EUA, mais uma prova é quase que unanimamente requerida, o GRE. Essa sim é uma prova tensa. Eles testam conhecimentos de matemática básica (até o ensino médio) e seu vocabulário em inglês. Você também precisará escrever dois textos diferentes. Esse teste custa $200.00 (sim, dólares) e está disponivel em todos os lugares que possuem a prova do TOEFL. Tem muito simulado dessa prova aí, e ela é uma prova bem padrão, o estilo das perguntas são como as dos simulados, mas a cabeça dá um nó. As questões de estatísca são só pegadinhas e as questões de vocabulário tem só palavras que são pouquíssimo usadas. Eles disponibilizam a lista de palavras que podem ser cobradas, mas né… quando é que você vai aprender 10.000 novas palavras, que quase ninguém usa e que você não tem muito tempo para memorizar? Tenso né?! Mas enfim, essa é uma prova que os americanos também precisam fazer e nem eles vão bem, então não se culpe muito, mas faça com seriedade.

 

  1. Quando fazer minha aplicação

 

As universidades tem diferentes datas para quem quer ser considerado para bolsas e isso varia para cada departamento. O meu departamento aqui na UofM considerava para bolsas quem se inscrevesse até dia 05 de dezembro. Se você se inscrevesse depois disso, poderia ser considerado também, mas só se sobrassem bolsas da primeira leva. Eu tinha feito um outro application para o departamento de Engenharia Química na Newcastle, na Australia. Para ser considerada para bolsas nessa universidade da Australia, eu teria que aplicar até 14 de novembro. Em ambos os casos eu poderia iniciar apenas no mês de setembro do ano seguinte. Então isso varia mesmo, você precisa ficar ligado, pois se ainda não tiver nenhuma proposta de professor, você vai precisar aplicar nesses tempos específicos para bolsas.

 

  1. Aplicando para as universidades

 

Galera, cada universidade é bem particular no seu jeito de aplicação. Então cada uma vai ter um portal próprio e regras específicas. Vou contar da minha pois é como eu sei que funcionou. O primeiro passo é visitar as regras específicas para o seu departamento, pois são esses os standarts que você precisa atingir para conseguir entrar. Pro exemplo, eu precisava de uma média de 6.5 no IELTS, mas nenhuma das notas poderia ficar abaixo de 6.0, se não já era cortada. Não tinha nota mínima para o GRE, mas você precisa ir bem.

 

Depois de encontrar o portal, o que eu fiz foi criar um login e senha que você vai usar do início ao fim da sua aplicação, então quando for fazer, não esqueça de salvar em algum lugar. Aí eu fiz o upload de todas cópias dos meus documentos, inclusive eu que traduzi o meu diploma e tudo. O único documento que eu tinha traduzido pela universidade foi o histórico. Pois aqui eles não exigiram traduções juramentadas em um primeiro momento, e eu pude deixar minhas notas do GRE e IELTS em aberto, e só mandei depois. Cuidado com as informações que você coloca, pois mesmo não sendo os documentos originais, são esses que eles levaram em consideração para te aprovarem. E também, por aqui dificilmente você precisará comprovar algo, por exemplo, participação em evento ou algo assim, pois se você “falou” que participou, você participou e ponto.

 

Quando eu fui aprovada, eles requeriram todos os documentos originais por correio. Só que eu não poderia correr o risco de mandar minha única cópia do diploma original pelo correio (vai que perdem né?), aí entrei em contato com o pessoal aqui, pois a única exigência mesmo é que fosse mandando em um envelope timbrado da universidade. O que eles me deixaram fazer foi mandar cópias dos originais com a assinatura e carimbo do reitor da universidade, ou de alguém que fosse responsável pela papelada na universidade. Mandei sedex, para evitar qualquer extravio (gastei R$115,00) e chegou na universidade em cinco dias, e foi tudo certo. Lembre de confirmar todos os papéis para que você não tenha que enviar outro envelope.

 

  1. Quanto tempo demora entre a aplicação e a aprovação?

 

Segura esse coração, porque pode demorar bastante sim. O meu processo foi um pouco mais rápido (e nem foi tão rápido assim) pois eu já tinha meus orientadores acelerando o processo e no pé do pessoal que fazia a papelada por aqui. Eu apliquei na última semana de novembro de 2016, recebi e-mail do “diretor” do programa na metade de dezembro e depois disso foi um silêncio só. Minha gente, que agonia. Eu não sabia o que fazer, vivia atualizando e-mail e no site da uni. E nada. Meus professores queriam que eu estivesse em Minneapolis em janeiro de 2017, mas como eu sou international students não deu muito certo, pois eram muitos papéis. Mas também, é bem difícil você conseguir entrada no semestre que inicia em janeiro, geralmente as entradas são em setembro.

 

Na metade de janeiro de 2017 um dos meu orientadores já havia mandando um e-mail dizendo que eu fui aprovada e que ele não estava entendendo o porque eu ainda não tinha recebido a carta de aceite. Eu menos ainda. E eu sou aquele tipo de pessoa que não consegue contar com a coisa feita se você ainda não tem uma garantia. Então a agonia continuava a mesma, todo dia aquele negócio de login e atualização de e-mail. Até que na metade de fevereiro eu fiz o login e lá estava a carta, com o um grande “Welcome to the University of Minnesota”. Juro pra vocês, eu só parei (estava jogando baralho), lembro a cena como se estivesse vendo um vídeo, eu nem consegui falar, só começaram a brotar as lágrimas. Nessa hora você sente o valor da recompensa, da espera e do esforço. Foi muito feliz, nossa.

 

Com a carta de aceite na mão, eu ainda precisava dos papéis dizendo o valor da minha bolsa e a duração dela, e também pagar a taxa SEVIS. Você vai precisar pagá-la e ter o recibo para ir na entrevista da embaixada. A taxa SEVIS é indispensável à todos os estudantes e você paga ela online, bem facinho. Você precisará de um código que a universidade vai lhe fornecer, e só com ele que você vai conseguir pagar. Depois que você pagar a taxa SEVIS, a universidade irá lhe enviar seu formulário I-20 (por correio), que você vai ter que carregar para todo lado quando chegar nos EUA. Você precisa dele para a entrevista do visto e também para quando quiser sair e voltar para o país. É como se fosse o papel da sua matrícula, com as informações do seu tempo de estudo e tudo mais.

 

Minha carta de benefícios (confirmação da bolsa, valor e duração) saiu no fim de abril, então depois disso, aí sim eu estava apta à fazer minha entrevista. E gente, você só consegue tirar o visto F-1 em um período de até 120 dias antes da data da sua carta de benefícios. Por exemplo, na minha carta de benefícios dizia que meu programa iniciaria no dia 28 de agosto de 2017, então eu só poderia a entrevista para o visto a partir do dia 28 de abril de 2017. Já a entrada no país, com o visto F-1 só pode ser feita no máximo 30 dias antes do dia em que o programa vai começar (meu prazo iniciava só em 29 de julho de 2017). Fique atento à essas datas para não marcar o visto e não poder fazer a entrevista, ou comprar uma passagem e ser barrado na entrada do país.

 

  1. Como obter o visto de estudante F-1

 

No meu caso, e da maioria dos estudantes de pós-graduação aqui, você precisará de um visto F-1. Esse visto lhe permite apenas estudar. Se você quer um visto de estudo e trabalho, você precisa do J-1.

 

Apenas recapitulando o que você precisa para a entrevista na embaixada/consulado: passaporte válido, recido de pagamento da taxa SEVIS, carta de aceite da universidade, carta de benefícios e formulário I-20.

 

A entrevista foi bem tranquila e como no meu I-20 dizia que eu era proficiente em inglês então toda a entrevista foi em inglês. As perguntas foram: em quanto tempo eu pretendia terminar os estudos, aonde seria, qual o departamento, como iria me manter, quando pretendia chegar nos EUA e quais eram meus planos para depois de receber o título. Nessa última pergunta, apenas lembre que os americanos não querem que você fique no país deles tirando trabalho de outras pessoas. A mulher confirmou mais umas informações e pronto. A entrevista é bem parecida com a de visto de visitante, até mais fácil, já que você já foi aprovado pela universidade e tem todos os papéis. O resultado do visto sai na hora, então nessa parte não tem muita agonia.

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University of Minnesota

 

Galera, depois do visto aprovado não tem mais muito esquema, você está apto para viajar e começar seus estudos. Lembre de ter todos seus documentos junto e muuita boa sorte! Espero ter ajudado e sanado algumas dúvidas (ou criado mais). Deixem comentários e compartilhem com quem vocês acham que esse post pode ajudar!

Beeeijinhos e agora leiam a versão de como o Mateus Peiter conseguiu a bolsa de mestrado dele por aqui!

 

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Meu nome é Mateus Peiter, atualmente mestrando no Departamento de Ciência Animal na Universidade de Minnesota nos Estados Unidos e formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria. A minha experiência é um pouco diferente da que a Siane teve. Eu e minha namorada, a Sônia, em uma certa altura de nossa faculdade decidimos que iríamos fazer um intercâmbio. A gente nunca havia nem pensado no assunto, e de repente surgiu a ideia e começamos a correr atrás de opções. A princípio ficamos sabendo sobre a Irlanda, que muita gente estava indo pra lá e que era muito legal e valia a pena. Então fomos até um agência de intercâmbios em Santa Maria, RS, onde a gente estudava, e iniciamos a busca pelo dito intercâmbio.

 

 

Porém, uma coisa que a gente não esperava é que fazer um intercâmbio particular custa muito caro, sairia mais de R$ 10.000,00 cada um na época, há uns 3 ou 4 anos atrás. Aí depois de pensar muito no assunto, voltamos à estaca zero. Começamos, então, a buscar opções mais em conta. Foi aí que descobrimos os intercâmbios que mandam pessoas para trabalhar em fazendas, que eram muito mais baratos e a gente ainda receberia um salário pelo trabalho. Para a nossa surpresa, percebemos que existem várias agências que realizam esse tipo de intercâmbio mais profissionalizante.

 

 

Algum tempo se passou e a gente já nem estava mais tão empolgado porque parecia que as opções que mais se adequavam aos nossos objetivos não estavam dando certo. Foi então que a Sônia ouviu falar de um programa chamado MAST. Fomos pesquisar e descobrimos que esse programa é da Universidade de Minnesota e, assim como outros tantos, traz estudantes para trabalhar em diversas áreas relacionadas a agricultura. E como eu estudava Medicina Veterinária e ela Agronomia, parecia algo interessante. Resolvemos que iríamos nos inscrever e após alguns dias de preencher papelada, submetemos tudo e aguardamos. Após algumas semanas a gente passou por uma entrevista em inglês, aplicada por um intermediário do programa que era da Universidade de Viçosa. Deu tudo certo para os dois e então o processo de fato tinha iniciado e agora só nos restava esperar, sem ideia de quando e se poderíamos ser chamados.

 

 

Um outro detalhe muito interessante sobre o MAST Program é que eles dão a opção de fazer um semestre de aulas na universidade, além de trabalhar em uma fazenda. E quando nós nos inscrevemos para o programa escolhemos essa opção, pois sairia relativamente barato esse semestre de aulas e era uma oportunidade de ficar nos Estados Unidos por um tempo a mais. Nesse período de aulas, os estudantes tem a possibilidade de trabalhar até 20 horas por semana dentro da universidade. Foi então que eu pensei em ir atrás de um professor ou laboratório para poder trabalhar enquanto fazia as aulas. Eu mandei um email para o departamento que me interessava pedindo contatos de professores que trabalhassem na área que eu queria e eles me responderam em poucos minutos, o que foi uma grande surpresa. Aí eu fui olhar os currículos dos professores que tinham me indicado e achei uma professora que eu já tinha ouvido falar e trabalhava quase que exatamente com o que eu queria. Por coincidência ela era brasileira e Médica Veterinária também. Mandei email pra ela, mas eu tinha muito medo de ela nem ver meu email, nunca responder, pois era um hotmail, então nem coloquei muita fé. Mas, novamente para a minha supresa, ela respondeu no mesmo dia, em poucas horas.

 

 

Foi então que se iniciou uma longa conversa. Ela me falou que estava precisando de um estagiário e que eu poderia sim trabalhar com ela. A gente se mantinha em contato constante, ela sempre querendo saber se eu tinha alguma resposta do MAST e me contando coisas que ela estava planejando pra eu fazer quando chegasse aqui. O tempo passou e eu não tinha resposta do programa. A gente aplicou em setembro de 2015 e já era início de 2016 e nenhum de nós havia tido resposta ainda. Foi então que essa professora resolveu ir pessoalmente no escritório do programa aqui na universidade e ver como estava minha situação e também a da Sônia. Mas, infelizmente ela não conseguiu saber de nada que a gente já não soubesse. Aí a professora começou a ficar um pouco impaciente. Mas ainda esperamos mais algumas semanas. Foi então que a Sônia foi chamada e já estava se organizando pra vir pros EUA e eu ainda estava a ver navios. Então, algo surpreendemte aconteceu. A professora disse que iria me trazer para trabalhar com ela e que eu poderia informar o MAST que eu estava desistindo. E assim foi! Ela fez tudo por mim, foi atrás de toda a papelada e burocracia e em pouco tempo já estava tudo certo para eu vir trabalhar diretamente com ela na universidade como estagiário.

 

 

Nós tivemos o cuidado de colocar a minha data de início e a data de início do trabalho da Sônia para o mesmo dia, em abril de 2016, que aí assim conseguiríamos viajar juntos. E deu certo! Chegamos aqui juntos e enfrentamos todos os desafios dos primeiros dias juntos, até que uma semana depois ela foi para Massachusetts e eu fiquei aqui na Universidade de Minnesota, em Saint Paul. A Sônia foi para Massachusetts pois era lá a fazenda que ela iria trabalhar de abril a dezembro de 2016.

 

 

Em meio a tudo isso eu ainda era um estudante de Medicina Veterinária indo para o último semestre de faculdade. Para eu me formar, eu precisava fazer um estágio de um semestre na área que eu escolhesse, o que a gente chama de estágio curricular. E eu comentei isso com a minha professora daqui. Foi então que chegamos ao consenso de que eu poderia realizar esse meu estágio aqui na universidade e que ela seria minha supervisora. Dessa forma, eu aproveitaria o meu intercâmbio para terminar a faculdade. E foi o que aconteceu. Fiz o estágio entre abril e dezembro de 2016 e aproveitei esse período como meu estágio curricular. Em dezembro eu estava formado. O detalhe é que eu nem fui para o Brasil para me formar pois eu havia deixado uma procuração de poderes plenos para o meu pai, e foi ele que me representou na formatura de gabinete. A defesa do meu estágio também foi feita via internet, muito simples e sem frescura.

 

 

Durante o meu período aqui na universidade como estagiário eu obviamente já estava pensando em o que fazer depois que eu me formasse. Eu nunca havia descartado fazer um mestrado, mas também não era algo que eu queria com todas as minhas forças. Como durante o meu estágio aqui eu trabalhei muito com análise de dados e revisão de literatura, eu comecei a pegar ainda mais gosto por pesquisa. Até o dia em que eu decidi que iria conversar com minha orientadora sobre a possibilidade de seguir aqui para um mestrado. Porém, eu sabia que ela estava com pouco dinheiro e que a chance de ela conseguir me bancar não era muito grande. Aí o que eu fiz foi me antecipar. Eu sabia que não poderia começar um mestrado antes de janeiro de 2017 pois eu não estaria formado ainda. Então, eu esperei por um momento oportuno e entrei no assunto com ela. Isso foi após alguns meses de trabalho e após eu sentir que já tinha uma relação boa o suficiente para tocar no assunto. Ela então me falou que ela teria um projeto pra mim e que teria apenas um pequeno problema… dinheiro. Ela estava sem condições de pegar mais um estudante naquele momento. Mas eu sabia disso e por isso conversei com ela com bastante antecedência para dar tempo de ela conseguir o dinheiro, caso ela realmente quisesse me pegar como orientado. E assim aconteceu! Ela foi atrás e conseguiu recurso para me bancar.

 

 

O processo de inscrição para um mestrado aqui é relativamente simples, como já foi abordado pela Siane anteriormente. Brevemente, a minha experiência foi a seguinte. Quando eu vi que minha professora estava trabalhando para conseguir recursos para o meu mestrado eu já comecei a me preparar para as provas do TOEFL e GRE. Comprei todo o material oficial e aquela coisa toda. Mas confesso, poderia ter estudado muito mais. Eu já tinha feito a prova do TOEFL no passado, então ela já nem me assustava tanto. Por outro lado, a prova do GRE me tirou o sono. Todo mundo me falava que era muito difícil, até mesmo os americanos. Mas como não tinha escapatória, tive que estudar e fazer a tão temida prova. E não foi surpresa nenhuma. A prova foi difícil e eu fui mal mesmo. Mas a maioria dos professores sabe da dificuldade da prova, especialmente quando os alunos são estrangeiros, então para mim isso não foi um problema, até porque eu já tinha uma orientadora definida e fazer as provas era mera burocracia que eu precisava para completar a inscrição.

 

 

Deu tudo certo no processo de inscrição e minha orientadora conseguiu o dinheiro. Entre a minha inscrição para o mestrado e a aceitação da minha candidatura não foi mais que duas semanas. Isso quer dizer que em duas semanas eu já estava pronto para começar o mestrado, tirando o detalhe do visto, é claro. A papelada para o meu visto ficou pronta em poucas semanas também. Um detalhe importante de mencionar, que até a Siane já abordou, é o período de inscrição. Eu me inscrevi no mestrado em novembro de 2016 para iniciar as aulas em janeiro de 2017. Mas isso foi uma exceção! Só deu certo porque a minha orientadora e o pessoal do meu departamento foi atrás de pedir urgência e ficaram sempre pressionando para agilizar o processo. E claro, eu já tinha uma orientadora definida e que tinha dinheiro. Em um caso normal, o processo de inscrição deve ser feito com alguns meses de antecedência, uns 6 meses pelo menos, para uma maior chance de ser aceito e de conseguir bolsa.

 

 

Hoje, depois de um ano de mestrado já, eu posso compartilhar um pouco da minha experiência até agora. Com exceção de algumas taxas que eu preciso pagar todo início de semestre, a minha bolsa cobre tudo. Todo o custo das aulas, que é enorme, é bancado pela minha orientadora. Se isso não fosse suficiente, eu ainda recebo um salário com o qual eu consigo viver muito bem. Eu consigo pagar o aluguel, comer bem e ainda sobra dinheiro para lazer. A estrutura que a universidade oferece é incrível. Existe um grande suporte para a pesquisa. As aulas são muito boas, com salas de aula adequadas, com muito conforto e professores muito bem preparados, pelo menos na minha experiência até então.

 

 

Outra coisa que eu já imaginava, mas que eu vejo como uma realidade a cada dia que passa, é que, uma vez que você está dentro da universidade aqui, tudo fica muito mais fácil. A chance de conseguir um doutorado ou um pós-doutorado e seguir aqui nos EUA são muito maiores. Além disso, algo que me chamou a atenção é a maneira como um aluno de pós-graduação é tratado aqui. As pessoas nos enxergam como pesquisadores, experts em um determinado assunto. Eu, pessoalmente, notei muito isso já, especialmente quando eu vou visitar algumas fazendas e eu falo que sou um veterinário e estou fazendo mestrado. E isso eu já ouvi de outros brasileiros também, inclusive daqueles que já tem experiência na pós-graduação no Brasil. Outra coisa muito legal é quando você vai a um evento aqui e encontra referências mundiais em um mesmo recinto, como se aquela fosse só mais uma reunião, mais um evento qualquer. Mas para nós, estudantes, isso é incrível. É possível chegar e conversar com essas pessoas e eles te tratam como o pesquisador que você é.

 

Meu email: peite003@umn.edu

Siane Camila Luzzi

Siane Camila Luzzi


Engenheira Ambiental, 27 anos, de coração e tradição gaúchos, está fazendo mestrado na UMN, em Minneapolis, EUA. Fica super ansiosa antes de qualquer viagem, do tipo hiperativa, que refaz a mala no mínimo 5x, fica correndo de um lado pro outro e não dorme nas noites anteriores à viagem. Contato: sianeluzzi@gmail.com

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